Vapor Barato
*Ela tinha cheiro de alfazema, ele de polvora queimada. E dia apos dia, deixavam que seu perfume se misturasse, embriagasse, calasse as palavras de ambos, num quarto de motel barato a beira do cais.
Cravar as unhas no corpo do americano alto, loiro, com cara de filme, era so menos divertido do que olha-lo com desrespeito e desdem ao fim das duas horas pagas. As 5 comecavam, as 7 terminavam. "Seu dinheiro nao paga o beijo de despedida", dizia ao homem que, atordoado, lhe chamava de querida em ingles.
E ele, ele lhe beijaria os pes e nao podia beijar seus labios. Restava-lhe beijar o corpo todo, e tocar-lhe a boca como numa adoracao sacra. Mordiscava aos poucos sua nuca para faze-la rir. 16 anos. Fazer-se sua necesidade assim, sem ao menos dizer uma palavra que ele entendesse?
E da janela viam os navios partirem, viam o mar, viam o sol sobre ele se por.
Uma so vez ele entrou no quarto e nao tirou o casaco verde, pesado das honras e da poeira que acumulava sobre si. O bilhete do vapor na mao. Segurou a menina assustada pelos ombros e levantou-a da cama em que, despida, por ele esperava. Aproximou o rosto dela do seu em um so golpe, acariciou-o com sua propria face. "Querida". Ela so podia entender sua respiracao cansada, os olhos lacrimosos; assustou-se por nunca ter visto a paixao de perto. Deu seu primeiro beijo desajeitado, um encosto sofrido de labios. "Querida".
Ele partiu rumo ao cais, a pele inflamada de obscecao, olho posto na janela por que ela se despedia chorando. Suicidou-se em metade. "Eu preciso esquece-la. Eu preciso". E juntou-se aos soldados que entravam no navio.
E depois daquela tarde, ela andava tao a flor da pele, que chorava ao ler os beijos escritos nas novelas de banca de jornal...
** Uma brincadeirinha: escute uma musica e escreva uma historia. Espero receber milhoes e milhoes de comentarios com essa campanha :P .
Cravar as unhas no corpo do americano alto, loiro, com cara de filme, era so menos divertido do que olha-lo com desrespeito e desdem ao fim das duas horas pagas. As 5 comecavam, as 7 terminavam. "Seu dinheiro nao paga o beijo de despedida", dizia ao homem que, atordoado, lhe chamava de querida em ingles.
E ele, ele lhe beijaria os pes e nao podia beijar seus labios. Restava-lhe beijar o corpo todo, e tocar-lhe a boca como numa adoracao sacra. Mordiscava aos poucos sua nuca para faze-la rir. 16 anos. Fazer-se sua necesidade assim, sem ao menos dizer uma palavra que ele entendesse?
E da janela viam os navios partirem, viam o mar, viam o sol sobre ele se por.
Uma so vez ele entrou no quarto e nao tirou o casaco verde, pesado das honras e da poeira que acumulava sobre si. O bilhete do vapor na mao. Segurou a menina assustada pelos ombros e levantou-a da cama em que, despida, por ele esperava. Aproximou o rosto dela do seu em um so golpe, acariciou-o com sua propria face. "Querida". Ela so podia entender sua respiracao cansada, os olhos lacrimosos; assustou-se por nunca ter visto a paixao de perto. Deu seu primeiro beijo desajeitado, um encosto sofrido de labios. "Querida".
Ele partiu rumo ao cais, a pele inflamada de obscecao, olho posto na janela por que ela se despedia chorando. Suicidou-se em metade. "Eu preciso esquece-la. Eu preciso". E juntou-se aos soldados que entravam no navio.
E depois daquela tarde, ela andava tao a flor da pele, que chorava ao ler os beijos escritos nas novelas de banca de jornal...
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